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31 ago Essa deliciosa vida de escritora

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Toca o telefone. Na tela, o DDD me faz achar que seja ligação da própria operadora, mas atendo e sou surpreendida por um conhecido dos tempos de Aracaju, hoje residindo no RJ, com o tom de voz mais sério que já escutei. Duas coisas me intimidam nessa vida: quem consegue falar mais do que eu (me deixem falaaaaar!) e quem usa palavras complicadas no dia a dia. Morro de preguiça de quem escreve e/ou fala difícil demais e me deixa refletindo sobre o sentido da palavra e não sobre o contexto do texto.

 

Explicou que não utiliza de redes sociais para se comunicar, mas que havia recebido notícias minhas por um amigo em comum, contando a “peregrinação” que teria precisado fazer para conseguir o meu número. Lembrou que nos tempos sergipanos eu teria confessado a ele que me sentia confusa entre o curso de Publicidade e Propaganda, o qual estava estudando, e os livros de jornalistas como Assis Chateaubriand e Flávio Cavalcanti, que consumia da biblioteca da faculdade. Eu, particularmente, não me lembro de ter dito isso a ele, e imagino que tenha sido numa rodada de chopp da vida, onde as verdades sempre saem.

 

Tentei explicar que gosto do cotidiano, e que tinha achado espaço para isso em crônicas, mas ele não escutou. Tentei falar que a agilidade da internet me fascina, mas ele também não escutou, alternando frases poéticas com verbos que jamais conjuguei antes, e me chamando por M-a-n-u-e-l-a, que me faz lembrar a voz da minha mãe desesperadamente ecoando nas ruas do Bairro Castália, numa infância interiorana que, assim como a propaganda do Mastercad, não teve preço!

 

Um bom tempo depois, quando eu já estava alternando o celular de um lado para o outro um pouco abusada de tanta formalidade e sem entender muito a intenção daquela ligação, eis que surge a pergunta: ”Mas me conta, Manuela, qual foi a tua primeira impressão com esse universo, lá na Bienal do Livro em São Paulo?” Sorri por dentro pela oportunidade de ser EU, e respondi: “Olha, a primeira impressão que tive foi que as duas meninas que estão bombando na net e nos livros são gordinhas, mas eu não consegui decidir ainda se fiquei feliz ou triste por isso!” E assim, após uma gargalhada do outro lado, teve início uma conversa bacana entre duas pessoas normais.

 

  • Escrito em agosto de 2014.

24 ago Ilhéus, 482 anos de lindas histórias*

Ilhéus - Bahia
Dizem que a minha pupila dilata e que meus olhos brilham quando “pego estrada”. Inquieta por natureza, quando não posso estar muito distante tenho Ilhéus como refúgio. Tomo uma água de coco, um drink ou um banho de mar e volto renovada. Já tomei grandes decisões assim, inclusive, mas a maturidade vai minando aos poucos esses rompantes e, aqui pra nós, isso é péssimo…

 

Tenho milhares de fotos em Ilhéus. Passei todos os domingos da minha infância na casa da minha madrinha Dionê (que se foi há um mês e de quem guardarei lembranças eternas!). Assisti meu pai pedir “uma caipirinha para abrir o apetite” todos os finais de semana no Restaurante Os Velhos Marinheiros.  Lá pelos 16-17 anos, coloquei minhas duas gordinhas (Jully e Bia) debaixo do braço e parti para fazer um book na terra da Gabriela, de ônibus. Fiz fotos péeeeessimas das minhas cobaias prediletas, aprendi a estrada e não parei mais…

 

Acho Ilhéus poesia viva! Aquela que foi novela na Globo quando a Globo mexia muito com as minhas fantasias e aí eu fiquei aficcionada! Adoro fotografar suas praias e paisagens! Sua gente também! A pracinha de Irene no fim de tarde, o Vesúveo e a Barrakítika, cenários dos boêmios, mas nada que permita embriaguez desnecessária. Ilhéus é fina, sempre foi! Fiquei me achando quando sentei na bancada da Academia de Letras de lá para lançar meu livro, inclusive, e queria muito ter conhecido Jorge Amado! Muito mesmo!

 

Acho o máximo a elegância dos colunistas Zé Carlinhos e Valério de Magalhães! As damas da sociedade que ainda se visitam no final da tarde! As igrejas! Adoro as igrejas! A Catedral acho belíssima, mas a Piedade acho linda de viver! Adoro as fotos aéreas de Zé Nazal também! O Bataclan, cenário indescritível! Acompanho o empenho do inquieto Marco Lessa com os seus projetos e enxergo ele e Ilhéus em TODOS os lugares turísticos por onde passo. Comento e me chateio também, típico de quem gostaria de ver seu objeto de adoração acontecer (mais)!

 

Acompanho as redes sociais dos hotéis, pousadas e restaurantes, pesquiso, vou a tudo o que posso e experimento! Palpito! Ilhéus é linda demais e eu não me canso de achar! Tenho um AMOR platônico por ela desde que nasci! Paixão passa, amor não! Ainda que, muitas vezes, sobreviva apenas dentro da gente!

 

  • Escrito no aniversário de Ilhéus, neste 2016.

23 ago Há de ser realmente mais feliz quem vive a própria vida

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Ganho meu tempo vivendo meus próprios dramas. Sonhando meus sonhos, viajando meus mais loucos roteiros, imaginando um futuro que bate forte no meu próprio coração. Ganho meu tempo semeando a minha própria vida, ainda que em alguns dias ela não tenha lá o glamour ou os fatos interessantes que gostaria. Ganho meu tempo, satisfação e faço as pazes com o amor-próprio diariamente, principalmente quando silencio. Se a palavra tem força, o silêncio na hora certa tem um poder inenarrável, aprendi. Sou da turma dos incansáveis, do tudo ou nada, dos que arrisca jogar a sorte pro alto sem a menor vontade de catar. Nada em mim é pequeno, quiçá seriam as vontades. O que você nunca vai ouvir, ver ou ler, é que eu gostaria de ser um alguém que não sou! Há de ser, realmente, bem mais feliz, aquele que vive a própria vida. Acertando, errando, caminhando, voltando, alternando, mas acima de tudo, tentando!

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